segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

PRISMA

Existe esse lado sombrio em mim
e essa outra coisa que brilha
É como o prisma que trago na mão

O que fazer com esses reflexos?
O que fazer com essa luz repleta de escuridão?
Como se grita essa luta?

Eu escalo montanhas
Eu pulo das árvores
dessa estrada quase perfeita

Eu tento ser forte
Eu quero ser forte
E a luta continua
Esses reflexos se espalham
pelo céu da minha escuridão

Essa sombra
Essa luz em mim
quem os domará?

Eu continuarei a batalhar
Eu prosseguirei na estrada mais difícil
Eu machucarei pés, joelhos e mãos

Por que eu prefiro esse prisma
Essa sombra e essa luz
Ninguém domará essa fúria doce
Ninguém apagará esses contrastes fortes

Eu sou dona da minha estrada
E eu irei refulgir nas sombras
Mesmo que tentem 
sufocar meu escuro esplendor.

domingo, 29 de novembro de 2015

TRACEJADO

Eu vou ver os traços azuis
Da felicidade espraiarem-se pelo céu
Enquanto meu coração sangrento
E meu corpo sedento restam aqui
Grudados na terra embrutecida
Pela espera infindável de nunca
Ter o que irá saciá-los

Eu observo as multidões
Elas resvalam ao meu lado
Tocam meu ser imóvel
Sem nem sentir que algo
Nele já está morto

Foi essa espera tão ínfima
Por uma coisa que iria alimentá-lo
Mas que eu sabia que não teria

Estes olhos que tudo veem
Estão sangrando absinto
Meu eu caminha pelas ruas
Ele ainda respira

Por isso eu vejo o tracejado da felicidade
Num céu agora nublado
É a chuva que vem e lava a alma
Mas não expurga a perda inexorável

E mesmo assim eu não lamento
A multidão escorrega pelas ruas
Meu ser continua desapercebido
Eu teimo em esperar

Quem sabe o que saciará meu âmago
Ainda voltará a me abraçar. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

DO QUE FAZ CASA EM MIM

Não eu não sou totalmente feliz
Nem infeliz
Mas me recuso a deixar
A infelicidade fazer
casa em mim permanentemente

Claro que ela chega
As vezes de mansinho
Outras de roldão
E me leva quase ao morticídio

Mas eu esgrimo com ela
Durante um dia e uma noite
E quando vejo ela abandona
O campo onde travamos o duelo
Que nunca terá fim

É que sou destas pessoas
Que precisam de emoções fortes
De dores e alegrias
De dias de sol e frio
De chuva ou céu azul
Para sentir de forma plena
Toda a vida que me cerca

Não nasci pra levar vida de vegetal
Sem sentir
Extremamente

Tudo que me foi concedido viver

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

CIRCUITO

Eu ando em círculos
E não é nada fácil.
Eu preferia que fosse um quadrado
porque haveria um canto em que
eu poderia estacionar.

Não vou voltar ao início
mas a roda gira e tudo parece se repetir
Eu não pedirei desculpas pelo que sou
Foi muito duro aceitar.

Esse mundo gira de forma estranha
Eu paro, olho para os lados
e mesmo que os rostos sejam diferentes
ainda são as mesmas reações

Será que errei ao recomeçar?

O suor pinga
a corrida prossegue
a vida entra em outra rotina
Eu ainda ando num circuito apertado
mas já aceitei as consequências
eu só não posso parar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

TORMENTO

Eu nao gosto
Deste tormento
Deste tropel de cavalos
Batendo em meu peito

Detesto esse tosco anseio
Que aflige meu ser
Quando observo teus movimentos

Odeio estes rabiscos romanticos
- nao sei de onde vem -
Porque de sentimentos
Pouco aprecio dizer

Me bastaria o silencio
Se ja nao me fosse impossivel
Calar em minha mente
Este sufocado apelo

Nao direi que te amo
Essas palavras nao seriam verdadeiras

Mas admito o desejo
Que tortura ja e
Mesmo quando nao te vejo.